Entrevistas

The Peter Schmidt Group quer uma equipa sólida. Conta o Pedro

Até ao fim do ano, quer operacionalizar a The Peter Schmidt Group em Lisboa, construir uma equipa sólida e otimizar a colaboração com as equipas internacionais. É o que explica o Chief Creative Officer em Lisboa, Pedro Vilar, a propósito da entrada da agência branding e design em território nacional. Objetivos são também fortalecer as relações atuais e estabelecer novas perspetivas de colaboração com potenciais clientes, nacionais e internacionais.

segunda-feira, 03 outubro 2022 12:07
The Peter Schmidt Group quer uma equipa sólida. Conta o Pedro

Briefing | O que motivou a entrada da Peter Schmidt Group em Portugal?

Pedro Vilar | A expansão internacional faz parte da estratégia global de crescimento da (agência) Peter Schmidt Group. Somos, há vários anos, a consultora de Design líder no mercado alemão, e ao contarmos no nosso portfólio com vários clientes e marcas com expressão global, expandir a presença da agência noutros mercados é para nós um passo natural. Para além dos quatro escritórios na Alemanha, temos um escritório em Tóquio, não só focado no desenvolvimento de negócio a nível local, mas também em dar suporte aos nossos clientes com presença forte nesse mercado.

Portugal foi uma escolha natural para o passo seguinte, por diversos fatores: por um lado, o nosso país tem um enorme potencial a nível criativo e queremos contar com esse talento para reforçar a excelência das nossas equipas, dando assim também a oportunidade aos designers portugueses de trabalharem em projetos de dimensão global. Por outro lado, a PSG tem um know-how e experiência com marcas internacionais nas mais diversas categorias que é uma mais-valia que queremos pôr ao serviço das marcas portuguesas, tanto para as que atuam ao nível local, como para aquelas que já têm ou pretendem ter presença noutros mercados.

E Lisboa, com a grande evolução e o crescente reconhecimento internacional que teve nos últimos anos, tendo-se tornado um hub criativo e tecnológico a nível europeu e sendo também um polo efervescente de empreendedorismo, é hoje uma capital europeia muito atractiva, onde queremos estar presentes.

Qual a estratégia para o mercado nacional?

A nossa visão para a PSG é global e não temos uma estratégia com foco específico apenas no mercado nacional. Apesar de fazermos parte de uma network, ao contrário das estruturas comuns nas multinacionais, onde o escritório de uma agência num determinado país está maioritariamente focado no negócio local, esse não é o modelo que queremos seguir. O escritório de Lisboa faz parte de uma estrutura global, de uma única Peter Schmidt Group, assim como já acontece com todos os outros, nas cidades onde estamos presentes. É comum para nós desenvolvermos trabalho em Hamburgo para os nossos clientes em Tóquio, ou membros de uma equipa de Frankfurt se juntarem a outros de Munique para dar resposta a um determinado cliente, e assim sucessivamente. Funcionamos como uma única agência, com equipas integradas, e reunimos a experiência e o talento mais adequado, independentemente da sua localização geográfica, para dar resposta aos desafios dos nossos clientes. Acreditamos nos benefícios da diversidade e no valor que as diferentes experiências culturais aportam ao trabalho criativo.  

Nesse sentido, claro que um dos nossos objetivos é colocar o nosso expertise em branding e packaging design para marcas internacionais ao serviço das marcas portuguesas, para que possam beneficiar do nosso know-how e da nossa perspetiva mais global e abrangente.

Qual será a dimensão da equipa em Portugal? E qual será a ligação e dependência da estrutura internacional?

Nesta fase de setup inicial, vamos começar com uma equipa pequena, formada por excelentes profissionais com quem já tive a oportunidade de trabalhar no passado, o que ajuda no arranque a estabelecer de forma sólida e coesa as bases da operacionalidade em Lisboa. E queremos crescer de uma forma sustentada. Não necessitamos inicialmente de ter uma equipa numerosa em Portugal porque fazemos parte de uma estrutura que conta com cerca de 220 colaboradores ligados por cinco (agora seis!) offices, e por isso, temos capacidade de dar resposta imediata a qualquer desafio. Mas claro que o objetivo é escalar a equipa local num futuro muito próximo, assim que a integração do escritório de Lisboa esteja estabelecida na estrutura PSG, por isso o processo de constituição da equipa em Portugal vai estar ongoing até pelo menos ao final do ano.

A ligação com a estrutura internacional, como já referi, será de colaboração constante com as restantes equipas da PSG. Teremos equipas internacionais a colaborar em projetos para marcas nacionais, assim como iremos abraçar desafios para marcas internacionais, com lead da equipa de Lisboa. O nosso objetivo é não só dar ao valioso talento português a possibilidade de brilhar em projetos internacionais, a que muitas vezes não tem acesso, mas também, disponibilizar às marcas portuguesas a experiência das nossas equipas internacionais.

Num cenário de grande concorrência, como pretende a agência distinguir-se no mercado nacional?

Ao não sermos uma agência nacional, no sentido de ter um foco exclusivo no mercado português, a questão não se coloca tanto nessa perspetiva.

Como referi anteriormente, Portugal tem muito talento e em Design, há várias agências e estúdios a desenvolver trabalho da mais alta qualidade. E o mercado português, apesar de relativamente pequeno, tem espaço para vários players a um nível muito elevado, também de acordo com a especificidade da procura. A oferta que trazemos é a experiência de 50 anos a desenvolver consultoria em Design para marcas locais e globais, assentes numa sólida perspetiva estratégica e no estabelecimento de uma relação de colaboração estreita com as marcas com quem trabalhamos, para conseguirmos juntos os melhores objetivos. A isso, adicionamos a vantagem de aliar ao conhecimento local a perspetiva internacional, a experiência adquirida noutros mercados e a visão diferenciadora que a multiculturalidade pode trazer.

O que nós podemos trazer de diferenciador, enquanto agência reconhecida e premiada internacionalmente, é a nossa experiência em trabalhar marcas com outra dimensão, presentes em mercados globais, e transportar esse conhecimento para a colaboração com as marcas portuguesas. Portugal é um país com um enorme potencial, com um excelente nível de qualidade e produção, e o Design é sem dúvida uma ferramenta essencial para dar às excelentes marcas portuguesas um maior reconhecimento no estrangeiro.

Que clientes já tem a agência?

A PSG tem um portfólio muito extenso de clientes, nas mais diversas categorias. Somos, por exemplo, a Global Strategic Lead Design agency da NIVEA ou a Lead Corporate Design agency da Mercedes-Benz. Temos relações de mais de 10 anos com alguns dos nossos clientes, como a Henkel, onde desenvolvemos projetos a nível global para marcas como Persil, Schwarzkopf ou Diadermine. E muitos outros clientes com quem trabalhamos regularmente: Lidl, Rewe, Dr.Oetker, Hugo Boss, Davidoff, Douglas, Linde, Deutsche Bank, Panasonic...para referir algumas marcas mais reconhecidas em Portugal. Alguns destes são clientes que eu já liderava na Alemanha e com os quais continuarei a manter a colaboração, pelo que serão agora também clientes trabalhados pela nossa equipa localizada em Portugal.

Se falarmos de marcas portuguesas, podemos adiantar que o primeiro projeto a ver a luz do dia no mercado nacional será para a Delta Cafés, com quem temos desenvolvido uma ótima relação há já largos meses e com a qual estamos muito contentes. Já há outros projetos na calha para marcas portuguesas, mas que ainda não podemos revelar. Mais novidades para breve!

Onde identificam as maiores potencialidades de crescimento?

As potencialidades são muito diversas: ao não estarmos apenas focados no mercado nacional, mas também em desenvolver projetos, a partir de Portugal, para os nossos atuais e potenciais clientes a nível internacional, as perspetivas abrem-se bastante. É claro que queremos trazer o expertise estratégico em Design da PSG para o desenvolvimento de projetos com marcas nacionais, onde identificamos muitas oportunidades de colaboração.

Adicionalmente, o facto de Portugal ter cada vez mais projeção a nível internacional, ser reconhecido como um hub de empreendedorismo e ter ótimas condições para a criação de start-ups, traz também muito potencial, porque as (novas) marcas têm cada vez mais o Design como um elemento central e imprescindível na sua génese e desenvolvimento, e isso abre também possibilidades de colaboração.

E acredito muito no enorme potencial do talento português, na nossa qualidade e na nossa capacidade de desenvolver projetos ao mais elevado nível internacional, pelo que o nosso crescimento não está apenas limitado às relações que vamos desenvolver com marcas portuguesas, mas tem também a porta aberta para o mercado internacional.

Quais os objetivos de negócio para 2022?

De acordo com a perspetiva de integração na estrutura global da agência que mencionei anteriormente, não temos um objetivo concreto para 2022 focado apenas no escritório de Lisboa. Estamos já a entrar no último trimestre do ano e os nossos objetivos até ao final de dezembro passam por estabelecer a operacionalidade da agência em Lisboa, otimizar os processos de colaboração com as restantes equipas internacionais, construir uma equipa sólida e com o talento adequado, fortalecer as nossas relações atuais e estabelecer novas perspetivas de colaboração com potenciais clientes, nacionais e internacionais.

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segunda-feira, 03 outubro 2022 12:28

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